quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Diário Monte Everest Base Camp Trek, Nepal


                                Monte Everest Base Camp Trek, Nepal

 

Podemos viajar por todo o mundo em busca do que é belo, mas se já não o                 trouxermos conosco, nunca o encontraremos”

 

 

Relatar essa experiência reacende fortes emoções em meu espírito. Escolher as trilhas do Himalaia foi uma pretensão que nasceu em algum lugar do universo e os doces ventos das montanhas a semearam em meu coração. O caminho estava lá me esperando ou esperando o momento certo da minha maturidade pessoal. O mapa para chegar até lá me encontrou na Patagônia Chilena quando conheci duas mulheres guerreias com a alma cheia de pureza que também não tem medo de sonhar sonhos gigantes do tamanho do mount Everest. Outros amigos foram instrumentos da conspiração do universo para concretização desse sonho e sei que eles sabem que estiveram lá comigo saudando a alma das montanhas impávidas de beleza e mistério.

 

 

 

 

                                                               19/09/2010

 

 

Ao chegar ao aeroporto de Vitória sou surpreendida com a algazarra dos meus amigos do trabalho que estavam me aguardando com festividade, alegria e muito carinho. Fiquei muito emocionada com o cuidado, amor e atenção. Era domingo e estavam quase todos lá para se despedirem e me desejarem sorte. Minha alegria e emoção por toda essa expedição se alargava com a torcida deles e pensava comigo: precisa dar certo, por eles também! Marcio havia me levado ao aeroporto e é claro que sabia da surpresa, mas preferiu ficar no carro, disse que não gostava de despedida. Nana e Malu ficaram em casa com amigos que chegaram inesperadamente. Alem de toda ansiedade dos últimos dias, eu estava me sentindo uma pessoa muito abençoada. Só podia repetir, obrigada meu Deus, por tudo!!! Em especial pelos amigos que tenho!

 

No aeroporto de Gongonhas, primeiro encontrei a Paula. Foi um encontro emocionante. Abraçá-la na cumplicidade, euforia, medo e expectativa de uma expedição sonhada, arriscada e quase frustrada em função de eventos novos no trabalho que quase coincide duas viagens internacionais. Era um sentimento de “tudo junto e misturado”, pois estávamos arriscando conhecer nada mais e nada menos que a maior montanha do planeta!

Com a chegada da Ade, o trio estava completo. Agora nos apoiaríamos mutuamente. Foi maravilhoso ouvir, “Nós nunca nos vimos nas montanhas sem você. Isso é otimismo! Talvez, uma primeira lição naquela que seria uma expedição para nunca mais esquecer.

 O Vôo pela aero linhas Qatar foi um luxo. Dispomos de kit viagem contendo meia, tapa olho, escova com creme dental e um excelente atendimento. Eu estava cansada em função da correria dos últimos meses. Muitas viagens e trabalho num ritmo intenso que me fazia trabalhar até o limite das forças. Queria compensar a todos pela ausência que faria com que o trabalho pesasse mais para alguns. Queria não deixar muita coisa pendente, em especial aulas para novas turmas de agente de formação, eventos, dentre outras situações da fatigante rotina que me imponho diariamente.

Ali naquele vôo queria e precisava deixar tudo para trás por uns instantes, por um tempo pelo menos. Isso não desmerecia a importância desses eventos na minha vida, mas precisava renovar minhas forças e isso eu precisava fazer por 25 dias realizando um sonho do tamanho de uma montanha! Queria olhar para dentro de mim em outra perspectiva. Há muito tempo fiz essa opção de retirar-me da rotina massificante do dia a dia e encontrar-me com minha essência no lugar mais inspirador que identifico: as montanhas!  

Já no avião começamos a sentir o efeito do fuso horário. Meu relógio a registrar 16h00min e o horário local marcava 22h00min. Aos poucos todos se aquietavam no avião e eu inquieta sem conseguir dormir. Ainda não consigo dominar minha mente e meus pensamentos. Ainda bem que podia ouvir Live forever, Wonderwall, Imagine, hey Jude. Depak Chopra (preciso aprender mais desse cara, ele me instiga) A música pode ser em algum momento, o doce chicote que doma os pensamentos rebeldes. Se existe outra vida antes dessa, definitivamente eu era cantora e estou sendo punida por alguma razão por não saber cantar nada e precisar de musica tanto quanto de oxigênio para viver.

12.200 km, 14 horas de vôo e chegamos ao luxuoso aeroporto de Qatar! Ocidental pelo estilo, vitrines, grifes ao mesmo tempo em que brinda silenciosamente a diversidade cultural. Por todo lado, burcas a esconder rostos e revelar culturas. Longos vestidos negros em homens, mulheres, crianças e outros tantos com fisionomia indiana. Lembro-me de agradecer a Deus por não ter nascido em um país de origem muçulmana. Eu com meu espírito rebelde teria sido apedrejada ainda na adolescência. De qualquer forma tem todo um encanto encontrar essa diversidade cultural mesmo que apenas passando entre nós. Todos são muitos silenciosos e nós, ainda que com um pouco de temor, ficamos a absorver os detalhes de um mundo muito diferente do nosso. Rapidamente embarcamos para Katmandu num vôo de oito horas. Uma grande vantagem de termos escolhido via Qatar foi não precisarmos de visto de entrada no país.

 

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