O Himalaia
O dia
clareia muito cedo e uma confusão se faz no meu relógio biológico em função de
mais de oito horas de diferença no fuso horário. Voamos mais de 20 horas e ao
olhar pela janela do avião Paula nos alerta para o branco que contornava o
horizonte. Eram as montanhas do Himalaia!!! Olho extasiada uma cadeia de
montanhas gigantes de beleza. Um branco intenso e imaculado com picos beijando
o céu de azul profundo. Elas brilham como se fossem de cristais e escondessem
os sonhos povoados de castelos e cavalos alados. São formatos majestosos, uma
profusão de picos irregulares, mas cheios
de harmonia a cercar toda a extensão abaixo de nós e apontar sua face ao céu
como se a ele pertencesse. Elas formam barreias de encantamento e mistérios.
Imensas montanhas brancas que parecem sorrir ao fazer-nos chorar de
deslumbramento. De fato ao me dar conta que eu estava ali, maluca que sou a desejar
contemplar as montanhas que parecem tocar o céu, impassíveis e estonteantemente
belas! Sim, estava ali, não havia dúvida do que meus olhos viam e solucei de
tanta emoção. As palavras não são capazes de descrever o sentimento que se
avoluma no coração ao ver a cordilheira do Himalaia. Mesmo ali a milhares de
pés de alturas, eu estava me sentindo privilegiada e abençoada. Mas agora era
tempo de desembarcar e trocar nossos dólares por rupees na cotação de 71.65.
Dia
22.09.2010
Katmandu
O café da
manhã é um acontecimento para nós. Difícil comer onde tudo tem pimenta e curry. O cardápio inclui batatas ensopadas, ovo frito,
pão frito, frituras, frituras e pimenta. Um café exótico para nossos padrões! Nenhuma
fruta, nenhum pão integral, nenhum iogurte, nada saudável. Tudo bem estamos no
Nepal. Estamos no Nepal, do outro lado do mundo! Um continente asiático, que
até pouco tempo não tinha nem claro sua localização, capital, população e
geografia. Sabia apenas que era onde se localizava o EVEREST!!!.
O hotel era
charmosinho e mesmo com nosso cansaço saímos às compras para agilizarmos os
preparativos para trilha. Logo percebemos o quanto a variedade de produtos para
montanhistas podia nos ajudar e também atrapalhar no processo. Muitos produtos
de marcas famosas falsificados a confundir os desavisados com a semelhança na
fabricação. Muitas lojas a vender muitos produtos parecidos criam uma
concorrência que faz com que vendedores aliciem os transeuntes pelas ruas
apertadas com simpáticos sorrisos a convidar a entrar em suas lojas.
Os carros
disputam os espaços e estranhamos o transito pela direita e todo mundo a buzinar
o tempo todo fazendo o ar poluído e pesado ficar desesperador. A cidade é
confusa com a quantidade de motos, carros, pessoas, disputando suas ruas
estreitas. Um choque de sons e poluição. Mas, esse capítulo sobre Katmandu vai
deixar para depois, pois meus sentidos estão completamente voltados para os
preparativos para inicio da trilha.
Conhecemos
nosso agente e também nosso guia. Sr. Bidhur e Ram respectivamente. Ambos doces
pessoas trabalhando numa agência simples no centro nervoso de Katmandu.
Tínhamos
que adquirir alguns itens e como sou aversa a produtos falsificados ou imitações,
procuramos muito uma loja que fosse confiável, mesmo que praticasse preços mais
altos. Encontramos uma loja que admitimos, foi pela aparência da organização a
escolha e lá compramos quase tudo que nos faltava. Simpatizamos-nos com a
família que prontamente nos atendeu e tiramos fotografias para recordação e
como forma de agradecimento pela paciência e acolhimento.
Dada todas
as informações referentes ao nosso roteiro, resolvemos seguir o conselho do
Bidhur, nosso agente, e fomos almoçar no New Orleans. Um aconchegante restaurante
freqüentado por turistas de todas as tribos. Paula e Ade acertaram na escolha
do cardápio e eu não. Novamente comi mal, mas não desmereceu o lugar que
mistura a influencia do jazz com a cultura nepalesa. Saímos dali e continuamos
a rodar pelas ruas e depois verificar emails, mandar noticia para o Brasil até chegarmos
exaustas ao hotel. Depois do banho, novamente uma comida indigerível. Em definitivo,
não sabemos escolher alimentos no país, ou vamos ter dificuldade com o que ele
tem a nos oferecer. Dormimos muito tarde arrumando as mochilas com a ciência
necessária que o caso requer. Levar o indispensável e contemplar tudo o que se
precisa nas montanhas em situações de adversidade. Não pode ficar pesada e nada
de essencial pode ser esquecido. Acordamos as 03h40min para começarmos a sonhada
e ansiada trilha com uma viagem para a cidade de Lukla.
Quando o
guia chega e nos encaminhamos de van para o aeroporto é que nos damos conta do
quanto a periferia é constituída de pobreza quase extrema.
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