quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Diário do Acampamento Base do Everest


O Himalaia

 

O dia clareia muito cedo e uma confusão se faz no meu relógio biológico em função de mais de oito horas de diferença no fuso horário. Voamos mais de 20 horas e ao olhar pela janela do avião Paula nos alerta para o branco que contornava o horizonte. Eram as montanhas do Himalaia!!! Olho extasiada uma cadeia de montanhas gigantes de beleza. Um branco intenso e imaculado com picos beijando o céu de azul profundo. Elas brilham como se fossem de cristais e escondessem os sonhos povoados de castelos e cavalos alados. São formatos majestosos, uma profusão de  picos irregulares, mas cheios de harmonia a cercar toda a extensão abaixo de nós e apontar sua face ao céu como se a ele pertencesse. Elas formam barreias de encantamento e mistérios. Imensas montanhas brancas que parecem sorrir ao fazer-nos chorar de deslumbramento. De fato ao me dar conta que eu estava ali, maluca que sou a desejar contemplar as montanhas que parecem tocar o céu, impassíveis e estonteantemente belas! Sim, estava ali, não havia dúvida do que meus olhos viam e solucei de tanta emoção. As palavras não são capazes de descrever o sentimento que se avoluma no coração ao ver a cordilheira do Himalaia. Mesmo ali a milhares de pés de alturas, eu estava me sentindo privilegiada e abençoada. Mas agora era tempo de desembarcar e trocar nossos dólares por  rupees na cotação de 71.65.

 

 

Dia 22.09.2010

 

Katmandu

O café da manhã é um acontecimento para nós. Difícil comer onde tudo tem pimenta e curry.  O cardápio inclui batatas ensopadas, ovo frito, pão frito, frituras, frituras e pimenta. Um café exótico para nossos padrões! Nenhuma fruta, nenhum pão integral, nenhum iogurte, nada saudável. Tudo bem estamos no Nepal. Estamos no Nepal, do outro lado do mundo! Um continente asiático, que até pouco tempo não tinha nem claro sua localização, capital, população e geografia. Sabia apenas que era onde se localizava o EVEREST!!!.

O hotel era charmosinho e mesmo com nosso cansaço saímos às compras para agilizarmos os preparativos para trilha. Logo percebemos o quanto a variedade de produtos para montanhistas podia nos ajudar e também atrapalhar no processo. Muitos produtos de marcas famosas falsificados a confundir os desavisados com a semelhança na fabricação. Muitas lojas a vender muitos produtos parecidos criam uma concorrência que faz com que vendedores aliciem os transeuntes pelas ruas apertadas com simpáticos sorrisos a convidar a entrar em suas lojas.

Os carros disputam os espaços e estranhamos o transito pela direita e todo mundo a buzinar o tempo todo fazendo o ar poluído e pesado ficar desesperador. A cidade é confusa com a quantidade de motos, carros, pessoas, disputando suas ruas estreitas. Um choque de sons e poluição. Mas, esse capítulo sobre Katmandu vai deixar para depois, pois meus sentidos estão completamente voltados para os preparativos para inicio da trilha.

Conhecemos nosso agente e também nosso guia. Sr. Bidhur e Ram respectivamente. Ambos doces pessoas trabalhando numa agência simples no centro nervoso de Katmandu.

Tínhamos que adquirir alguns itens e como sou aversa a produtos falsificados ou imitações, procuramos muito uma loja que fosse confiável, mesmo que praticasse preços mais altos. Encontramos uma loja que admitimos, foi pela aparência da organização a escolha e lá compramos quase tudo que nos faltava. Simpatizamos-nos com a família que prontamente nos atendeu e tiramos fotografias para recordação e como forma de agradecimento pela paciência e acolhimento.

Dada todas as informações referentes ao nosso roteiro, resolvemos seguir o conselho do Bidhur, nosso agente, e fomos almoçar no New Orleans. Um aconchegante restaurante freqüentado por turistas de todas as tribos. Paula e Ade acertaram na escolha do cardápio e eu não. Novamente comi mal, mas não desmereceu o lugar que mistura a influencia do jazz com a cultura nepalesa. Saímos dali e continuamos a rodar pelas ruas e depois verificar emails, mandar noticia para o Brasil até chegarmos exaustas ao hotel. Depois do banho, novamente uma comida indigerível. Em definitivo, não sabemos escolher alimentos no país, ou vamos ter dificuldade com o que ele tem a nos oferecer. Dormimos muito tarde arrumando as mochilas com a ciência necessária que o caso requer. Levar o indispensável e contemplar tudo o que se precisa nas montanhas em situações de adversidade. Não pode ficar pesada e nada de essencial pode ser esquecido. Acordamos as 03h40min para começarmos a sonhada e ansiada trilha com uma viagem para a cidade de Lukla.

Quando o guia chega e nos encaminhamos de van para o aeroporto é que nos damos conta do quanto a periferia é constituída de pobreza quase extrema.

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